Eu argumento que, sim, nossas criações sociais têm vontades próprias, mas estão delimitadas pela vontade do homem; assim como a vontade do homem está delimitada pela vontade da natureza essa que, por sua vez, se encontra delimitada pela vontade do cosmo que, logicamente, é tudo aquilo que engloba o meio. E esse meio está delimitado pelo intangível, aquilo que se encontra em exterior ao meio. O meio é o campo das manifestações que são possíveis antes do inicio. No caso do ser humano, surgiu em manifestação dentro das possibilidades que existia na não-existência. Surge assim a vida; e quanta diversidade há na vida. As cadeiras são vida, as rochas são vidas, a escova é vida, a água é vida e todo elemento cosmológico está essencialmente vivendo no meio. Mas é nos “seres animados”⁸ que se encontra o mais forte poder que a vontade da vida pode manifestar, e interferir, no meio.
Ora essa, há; “gozar” a vida é garantia de felicidade. Esperar da vida é jogar sua vontade na roda da fortuna, roda essa girada pelo que há de exterior ao homem, claro que digo da natureza, tanto da natureza virgem quanto a natureza modificada pela humanidade. Usar da vontade é usar a vida como instrumento de poder, as criações humanas também fazem parte do meio (existencial) e interferem em tal. O homem por sua vez está entre os poucos elementos do meio que possui vontades conscientes, formuladas por um processo de significações simbólicas, criando determinismos que outros elementos do meio não conseguem competir. O que tem mais poder? A vontade consciente do homem ou a vontade instintiva do cachorro? A resposta é extremamente visível.
Não é raro que os otimistas conseguem trazer para a existência manifestações que até então se encontravam apenas em seus desejos. Os otimistas valorizam a vida e esta deve ser valorizada para que se possa ter algum retorno de sua parte; a vida é obra do intangível e, ressaltando novamente, manifestação de sua vontade. O homem fica em um complexo materializado à mercê de sua própria vontade. Alcançar as metas que traçamos é simplesmente resultado do nosso desejo de poder; e é razoável admitir que esse desejo de poder sejas só beneficiário ao homem se esse tiver essencialmente um desejo de viver concomitantemente envolvido; assim podemos visualizar o que pode existir de desejos na vontade humana.
⁸ Quando digo “Seres Animados” me refiro à singular e surpreendente força de vida que existe no reino animal.
Harry
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