quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Triste realidade da música brasileira nos dias atuais

A indústria musical hoje no Brasil busca novidades que agradam ao ouvido da população e da mídia em geral. Mas o que leva a uma grave preocupação é que a boa música de algumas décadas atrás foi praticamente esquecida pelas gravadoras e trocada por produções de baixa qualidade musical, que facilmente agrada os ouvintes atualmente.

Composições vazias e sem conteúdo relevante é o que gera lucro para os empresários da música, logo o espaço que poderia ser divulgado novos talentos e relembrado grandes clássicos são exclusivos de artistas com qualidade musical totalmente limitada. Isso sem levar em consideração também o fato de que, músicos que possuem obras superiores tecnicamente, ou em qualquer outra questão, ficam sem espaço na grande mídia. Estes acabam restritos aos fãs mais fieis e a alguns ouvintes que buscam obras bem produzidas, os quais são, obviamente, mais sensatos que os adoradores do baixo nível.

Se for preciso citar alguns gêneros que entopem as rádios e emissoras de TV com lixos industriais, com certeza o faremos. Qualquer pessoa que consiga compreender algo totalmente básico em uma obra artística e não a aprecie apenas superficialmente, logo perceberá que o Funk brasileiro, o chamado Sertanejo Universitário, entre outros, espalham músicas sem nenhum conteúdo relevante. Porém o que acontece? A grande massa gera lucro para estilos como estes, deixando grandes composições de MPB e do velho Rock Nacional, principalmente da década de 70 e 80, cada vez mais esquecidos e menos valorizados.


Artistas que produzem “enlatados”, ou seja, obras que já vêm prontas e são fáceis de engolir, ganham inúmeros prêmios, como de melhor banda, melhor música, melhor cantor etc. E os dinossauros da música brasileira estão sendo fortemente abandonados por grande parte do público e pela mídia.

É necessário ressaltar também que o capitalismo além de matar muitas pessoas, está matando e quer enterrar, sem piedade, a boa música. Esta afirmação existe baseada principalmente em uma concepção, um dos fatores primordiais deste sistema, o dinheiro. Atualmente as gravadoras se preocupam essencialmente com o lucro, ao invés da qualidade das obras. Esta triste realidade acaba fazendo com que os artistas fiquem sem opções de escolha, em outras palavras, ou você aceita que o mais importante na música hoje é o lucro, ou contente-se com a cena underground.


Uma importante banda brasileira da década de 80, a Plebe Rude, já alertou o público sobre este perigo, na música Minha Renda, lançada no primeiro álbum da banda, O Concreto já Rachou, em 1985.

Composição: Philippe Seabra

Minha renda

Você me prometeu um apartamento em Ipanema
Iate
em Botafogo, se eu entrasse no esquema
contrato milionário, grana, fama e mulheres
a música não importa, o importante é a renda!
Ambição - grana, fama e você
Ambição - grana, fama e você
Tenho que fazer sucesso antes que seja tarde
Eles acham que eu vendo, eu tenho uma boa imagem
o meu produtor, ele gosta de mim
grana vale mais que a minha dignidade
Tocar no Chacrinha ou na televisão
tudo isso ajuda pra minha divulgação
isso quer dizer mais grana pra produção - e pra mim!
Você me comprou, pôs meu talento a venda
você me ensinou que o importante é a renda
contrato milionário, grana, fama e mulheres
a música não importa, o importante é a renda!
Ambição - grana, fama e você
Ambição - grana, fama e você
Ele trocam minhas letras, mudam a harmonia
no compacto esta escrito que a música é minha
ja sei o que vou fazer pra ganhar muita grana
vou mudar meu nome para Herbert Vianna
Estar no Chacrinha ou na televisão
tudo isso ajuda pra minha divulgação
isso quer dizer mais grana pra produção - e pra mim!
Grana, fama e você!
Um lá menor aqui, um coralzinho de fundo (fundo!)
minha letra é muito forte? Se quiser eu a mudo
e tem que ter refrão (sim!) um refrão repetido (repetido!)
pra música vender, tem que ser acessível!
Ambição - grana, fama e você
Ambição - grana, fama e você
Não sei o que fazer, grana tá difícil
tenho que me formar e nem escolhi um ofício
Você é músico, não é revolucionário!
Faça o que eu te digo que te faço milionário!
Estar no Chacrinha ou na televisão (a minha renda)
tudo isso ajuda pra minha divulgação (a minha renda)
isso quer dizer mais grana pra produção - e pra mim!

A minha renda!

Felipe Ferraz

Nenhum comentário:

Postar um comentário